Prioridades do varejo em 2018, segundo a WGSN

Consultoria WGSN faz levantamento das principais novidades para o setor varejista

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É possível dizer que o varejo evoluiu mais na última década do que em centenas de anos. Da figura do mascate, passando pela burguesia, e chegando até a revolução industrial, o ato de vender jamais teve tantas variáveis como hoje. A tecnologia trouxe uma verdadeira revolução e o ano de 2018 deve consolidar ainda mais tendências já em voga, como a inteligência artificial, a importância da experiência, entre outras. É o que aponta um estudo da consultoria britânica WGSN.

Segundo o relatório, haverá mudanças profundas no setor este ano. As empresas que detém lojas gigantescas, por exemplo, continuarão enfrentando desafios para equilibrar os seus custos, ainda mais com o e-commerce ganhando cada vez mais espaço.

E o comércio eletrônico continuará crescendo por conta da influência das gerações Y e Z no consumo. Cada vez mais independentes e com dinheiro no bolso, as empresas precisarão se desdobrar para agradá-los. Um dos exemplos é a preocupação em serem sustentáveis e diminuírem sua pegada ambiental.

Para isso, o investimento em tecnologia será fundamental. E segundo o estudo, a inteligência artificial ganhará mais força esse ano. Um dos exemplos desse movimento é a loja da Amazon Go, em Seattle, nos Estados Unidos. Lá, é possível comprar tudo sem filas e sem pagamento físico. Tudo diretamente no seu cartão de crédito.

Confira algumas das tendências para este ano:

A equação de valor das novas gerações

Mesmo sendo uma geração mais educada do que as anteriores, os Millennials recebem menos do que os seus pais e avós nos primeiros anos de trabalho. Segundo a WGSN, um representante da geração Y recebe cerca de US$ 11 mil do que as anteriores em seus primeiros empregos. Os salários não acompanharam a desvalorização da moeda em boa parte do mundo.

Diante desse desafio, as empresas também precisam trazer elementos com custo mais baixo para estes jovens. A Amazon, por exemplo, oferece descontos na assinatura do Prime, seu clube de benefícios, para aqueles que recebem assistência governamental dos EUA.

“É uma geração que prefere alugar, que não possui tanto interesse em ter a posse de um produto”, diz Luiza Loyola, especialista em tendências da WGSN. “Mas isso acontece também porque o poder de compra deles é inferior às outras gerações quando estavam na mesma idade.”

Por conta disso, as empresas precisam se atentar aos comportamentos desses jovens. Muitos deles ficam na casa dos pais por mais tempo por questões financeiras. Produtos e serviços mais baratos podem chamar a atenção deles.

 Experiência se torna um produto

Os consumidores não querem somente comprar um determinado item. Eles querem uma experiência com ele, querem ter sensações. E as empresas que começarem a se movimentar nessa toada vão sair na frente.

Um exemplo é a joalheria Tiffany, que passou a oferecer café da manhã em sua loja mais icônica, em Nova York. O movimento foi inspirado no filme Bonequinha de Luxo e está dando certo – centenas de veículos publicaram a ação, que está atraindo milhares de pessoas.

Para a WGSN, as empresas precisam tocar exatamente na emoção de seus clientes. Não basta agradar, mas fazê-los se identificarem com marcas. Ou seja, é necessário sair daquela zona de conforto e buscar novas maneiras de se relacionar com os consumidores.

É preciso ser sustentável

Diminuir a pegada de carbono e respeitar a todos os credos e raças não serão mais diferenciais para uma empresa. Já é uma obrigação. Casos de empresas que sofreram uma tremenda crise de imagem por fazerem testes em animais ou por atuarem com trabalho escravo, por exemplo, são comuns.

E ter essa preocupação também aumenta as vendas. Cerca de 66% dos Millennials estão dispostos a gastar mais em produtos de empresas socialmente preocupadas, de acordo com a consultoria Nielsen.

“Mas não basta simplesmente fazer uma campanha e não fazer mudanças profundas dentro da empresa”, diz Luiza. “A sustentabilidade não pode ser só o discurso.”

De olho nos usados

O mercado de produtos usados vai crescer nos próximos anos. O “re-commerce” deve saltar dos US$ 18 bilhões registrados em 2016, para US$ 33 bilhões em 2021. E as empresas podem encontrar diversas oportunidades nesse interim.

Fazer parcerias com sites de produtos usados, por exemplo, é uma grande sacada. Lá, será possível entender quais são os itens que têm mais perenidade e até criar coleções especiais deles. De repente, relançar aquilo que continua dando certo com o tempo.

A vez da voz

Assistentes inteligentes de voz estão crescendo em uma velocidade impressionante. E os usuários estão acompanhando esse movimento. De acordo um estudo da Adobe Consumer Electronics, metade das pessoas que têm acesso a um assistente utilizam a ferramenta pelo menos uma vez por dia. Isso fez com que as vendas por meio de programas como a Alexa, da Amazon, Siri, da Apple, e o Assistente do Google dobrassem no último trimestre.

Logo, as empresas precisam estudar qual é a melhor forma de utilizar essas tecnologias para aumentar as vendas.

Outra tendência é o “visual commerce”, que utiliza o reconhecimento de imagens para oferecer produtos. Um exemplo é a Screenshop, que, por meio de do seu aplicativo, consegue “ler” as fotos postadas em uma rede social e oferece as roupas que uma pessoa está usando. Tudo isso em segundos.

Lojas conectadas

Não é por acaso a investida de grandes redes de internet no varejo físico. A Amazon comprou a Whole Foods. Na China, a Alibaba está expandindo um supermercado conceito chamado Hema. E outras empresas devem seguir o mesmo caminho.

O grande desafio, no entanto, é trazer um serviço que realmente seja condizente com a integração entre online e físico. A Amazon Go tenta isso, mas só agora abriu para o público. E um dos diferenciais será exatamente tirar todo o tipo de ruído do consumidor, que não quer ter problemas com filas e pagamentos.

Para ficar de olho: pagamento com criptomoedas e reconhecimento facial

Ambas as tecnologias não devem ter uma expansão de massa entre os consumidores em 2018, mas já movimentam bilhões. O mercado de reconhecimento facial, por exemplo, deve saltar de US$ 3,4 bilhões para US$ 9 bilhões entre 2016 e 2021. Alguns sites no Brasil e no mundo já estão utilizando o reconhecimento facial como alternativa de pagamento, como a Dafiti por aqui e a Alibaba na China.

Ao mesmo tempo, as empresas precisam ficar de olho nas criptomoedas. Apesar da volatilidade do Bitcoin, essa alternativa de pagamento será cada vez mais comum no futuro. Atualmente, o valor de mercado das criptomoedas já está em US$ 500 bilhões.